No fim de 2013, duas amigas apaixonadas por moda que moravam em Porto
Alegre decidiram juntar seus negócios e criar um novo produto mais
sustentável. Pamella Magpali, 26 anos, trazia sua experiência com uma
marca própria que produzia calçados com excesso de couro da indústria e
Babi Mattivy, 30, tinha várias roupas com lindas estampas no estoque do
seu brechó.
Juntas, elas decidiram utilizar os tecidos do brechó para criar sapatos
artesanais que seriam vendidos pela internet. Em algumas semanas,
fizeram 20 pares “que venderam super rápido”, diz Babi. A dupla percebeu
então que aquela ideia tinha público e, com um investimento inicial de
R$ 20 mil, nasceu a Insecta Shoes.
“Nesse momento, nós decidimos produzir mais uma leva e foi preciso
tirar dinheiro do próprio bolso para pagar 100 pares. Foi o nosso
investimento inicial. Em três meses, todos os pares já tinham sido
vendidos. Nós poderíamos até ter produzido mais sapatos, mas preferimos
sentir a reação do público antes”, conta Babi.
O retorno dos clientes foi tão positivo que a dupla nem sequer teve que
recorrer a empréstimo para expandir o negócio. Em apenas um ano da
Insecta, elas conseguiram reaproveitar 500 peças de roupas — o equivale a
150 quilos de tecido.
Como o negócio estava ficando cada vez maior, a dupla procurou novos
sócios e encontrou Laura Madalosso, 29 anos, publicitária que já tinha
atuado como gerente de Pesquisa de Moda e Tendências na Renner. No fim
de 2014, Laura entrou para a equipe da Insecta e trouxe a experiência de
trabalhar em uma grande empresa.
Em julho de 2015, Pamella foi morar no interior e saiu da Insecta.
Pouco depois, a empresa abriu uma loja física em Porto Alegre, em abril
do mesmo ano. Para esse passo, foi necessário um investimento de R$ 30
mil, utilizados na reforma e decoração do local.
Hoje, a empresa conta com nove funcionários e vende em média 300 pares
por mês, com pedidos do mundo todo. A confecção dos produtos é
terceirizada. Para conseguir escalar, foram adicionados modelos que
utilizam tecido ecológico, feito a partir de garrafas pet e algodão
reciclável. “Oitenta por cento do que produzimos ainda depende do
garimpo que fazemos em brechós. Por isso, temos quatro pessoas que
viajam por várias cidades do Rio Grande do Sul em busca de roupas
bonitas e que foram descartadas”, conta Babi.
Exclusivo e sustentável
Uma peça de roupa pode render até sete pares de sapato, segundo Babi, o
que faz com que os modelos sejam sempre limitados. Assim, a coleção
oferecida na loja virtual é alterada mensalmente, de acordo com as os
tecidos encontrados.
Sobre os modelos serem mais caros que os comuns, com preço médio de R$
269, Babi diz que “isso acontece por conta do processo artesanal e do
preço da matéria-prima ecológica, que é mais elevado”. Além do tecido
das roupas de brechó, os sapatos são feitos com sola de borracha
triturada reciclada e tinta à base de água
Os modelos da Insecta Shoes foram criados, desde o início, sob o
conceito vegano, portanto, não utilizam nenhum produto de origem animal
na fabricação.
A atitude sustentável do negócio é tão intensa que até mesmo a loja
virtual da Insecta segue uma política verde. Segundo a descrição da
página, um terço da poluição da atmosfera do mundo é resultado do
consumo de energia elétrica. Por isso, elas calculam o número de acessos
que recebem anualmente e plantam a quantidade de árvores necessária
para neutralizar o gás carbônico emitido pelos servidores do site.
A Insecta trabalha com numerações que vão do 33 ao 45 para adultos e do
20 ao 32 na linha infantil. Todos os modelos da coleção atual podem ser
conferidos no site da loja, que faz entregas para o mundo todo. Em
fevereiro, será aberta uma loja física, na rua Arthur de Azevedo, no
bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Para a abertura dessa loja, foi necessário um investimento de R$ 10
mil. A capital paulista foi escolhida porque, segundo Babi, o estado de
São Paulo é, de longe, o que mais compra os sapatos da marca.
Via http://revistapegn.globo.com/ - Por Valdir Ribeiro Jr
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